Pages

domingo, 23 de novembro de 2014

Teste



- Por que nega todas as investidas?
 Mesmo dizendo isso, não obtive uma resposta, seus olhos já não me focavam mais, parecia estar em transe, como se ignorasse as existências ao seu redor, de certa forma era algo belo de se observar.
- Não vou obter uma resposta? - Disse ao acenar para chamar a atenção, pouco antes de sua mão vir ao meu rosto, aquele calor que acabara de tocar minha pele, foi como ferver gelo, o frio não era tanto, mas tinha algo que deixava o clima mais quente.
- Você poderia ser mais direto, não? - Disse pra mim, pouco antes de levantar-se com as mãos sobre suas coxas, seu olhar me trazia uma calma tremenda, cada minuto que se passava, só ficava mais confuso, mexer com minha mente tão fácilmente, um dom como esse parece muito interessante.
- Olhe ao seu redor, todas essas rosas espalhadas, como algo assim pôde ficar subentendido? - Indaguei enquanto apontava aos arredores.
- Coisas materiais não causam um impacto tão grande pra mim. - Ouvir isso foi como uma flechada, não consideraria um desperdício de forma alguma, isso me forneceu a oportunidade de ter um tempo para dizer o que sinto, já não é de tão mal assim.
- Mesmo que isso não importe tanto, posso dizer logo o motivo principal de ter te chamado aqui? - Já estava ficando um pouco constrangido enquanto pensava na situação, as paredes completamente brancas da sala onde estávamos pareciam ser a única coisa que se passava em minha mente enquanto tentava focar o olhar em seu rosto.
- Se achar necessário, diga! Mesmo eu já tendo captado a mensagem, é sempre bom ter certeza. - Seu sorriso estava um pouco sarcástico na hora, fiquei em silêncio por alguns segundos.
- É que... Ultimamente... Você despertou meu interesse! - Acabei por comentar um pouco relutante, estava tentando esconder o rosto, mas já tinha revelado, não houve escapatória para a vergonha que eu sentia naquele momento, estávamos a sós.
- Bem, não tenho nada contra você, mas... - Esse mas despertou um leve sentimento de ódio bem no fundo, que logo foi cessado - Você tem certeza dos seus sentimentos? Não sente que será apenas algo passageiro?
 Podia até ser algo passageiro, nunca me interessei por ninguém, logo, não sabia muito bem como funcionava essa coisa de relacionamento.
- Estive pronto para todas as consequências desde que te chamei aqui. - Respondi exalando feromônios e um ar de confiança inabalável.
 Ouvi sua risada calma, sua expressão foi algo que ficará marcado em minha memória eternamente. Era algo como, a coisa mais linda que pude ver durante minha curta vida.
- Consequências, é? - Percebi que estava tentando mudar de assunto enquanto desviava seu olhar, aproximei meu rosto lentamente até chegar na distância que considerei ideal para fechar os olhos e esperar que o melhor viesse a ocorrer. Suas palavras foram realmente inesperadas, mas não soaram tão cruéis quanto pensei.
- Espero que não se arrependa, tudo bem? - Logo após isso, senti seus lábios tocarem os meus, foi uma sensação diferente, permanecemos com nossas línguas se entrelaçando como em uma dança sem fim, não parecia que ia acabar tão cedo. Passaram-se alguns minutos até que nos distanciamos um pouco, ambos com uma expressão um pouco surpresa, foi algo realmente inesperado pra mim, mas não tenho arrependimentos. Não tinha mais o que dizer, entretanto, sentia que ainda faltava algo, mesmo assim me despedi.
 Ao chegar na porta, senti um peso sobre a minha camisa, era um puxão, foi realmente inesperado, sua expressão estava um pouco diferente do habitual, aquele sorriso sarcástico de sempre tinha se tornado algo tímido.
- Parece que a muralha que você impôs para nos distanciar acabou de cair, né? - Perguntei olhando em seus olhos que tentavam desviar-se mas acabavam retornando em curtos intervalos.
- É, pode ser... - Senti um ar inocente em suas palavras, foi algo bom pra mim, trouxe a calma de sempre à tona. Logo pude envolver seu pequeno corpo em meus braços. Seu rosto corava por completo, coisa que me fez sentir-se ainda mais ligado no seu jeito de agir.
- Posso te fazer uma pergunta? - Perguntei e sua cabeça tocou meu peito, já não podia mais ver seu rosto.
- Pode sim. - Sua voz foi abafada por minha camisa.
- Podem acabar havendo problemas no futuro, não se incomoda com isso? - Perguntei com uma expressão um pouco mais séria.
- Ah, eu meio que... Já esperava por isso, mas sinto que... - Deu um suspiro afastando seu rosto de meu peito ainda me abraçando com um sorriso sereno - Se eu estiver com você... Tudo ficará bem.
- Então a partir de hoje estarei assumindo o cargo de seu defensor pessoal. Pode ser? - Pude dizer com um sorriso alegre.
- Ao menos alguém ainda cogita na possibilidade de me proteger... - Disse em um tom calmo que logo se tornou um pouco triste - de mim.
- Sei muito bem da sua condição, independente da situação estarei do seu lado, sempre estive me preparando para te ter. - Disse tentando transmitir calma através de palavras gentis.
- Sempre tentando fazer de tudo para me impressionar, não é? - Disse em um tom em que eu não havia de dar uma resposta. Logo pude acolher seu pequeno corpo em meus braços novamente, essa paz... Não pode ser destruída por questões normais. De forma alguma!
- Fui até a porta segurando sua mão e pude abri-la, era a única saída do lugar em que estávamos, aquela sala branca com duas cadeiras e uma mesa, cercada por flores meramente decorativas, não era um cenário de todo romântico, ao menos pra nós.
- Antes de cruzarmos essa porta, tenho um pedido! - Eu disse em um tom sério.
- Pode dizer... - Disse em um tom tímido.
- Garanta-me que não és apenas uma ilusão! - Consegui dizer com convicção.
- Não posso garantir. - Disse em um tom sarcástico e logo riu - Estou apenas brincando, não leve a sério! - Disse ao segurar minha mão com um pouco mais de força e olhar para baixo por alguns segundos sem dizer nada. Seus olhos brilhavam quando seu rosto sorridente veio de encontro ao meu e pudemos tocar nossas bochechas, novamente o calor de seu corpo em contato ao meu esquentou um pouco aquela sala não tão fria. Houve outro encontro de lábios, também conhecido como "beijo". Logo após, saímos em direção a luz que era emitida da porta já aberta com nossas mãos dadas esperando o destino nos guiar. Não individualmente, mas como... Um casal!

Espaço do Autor:

 Isso foi apenas um teste, não foi pra ter nexo algum, apenas cuspi algumas palavras pelos dedos, deu no que deu, enfim, curti. Críticas são sempre bem-vindas.

0 comentários:

Postar um comentário

Comente o que achou, faça suas críticas e dê sugestões se possível.